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Daruca Corretora de Seguros

Ética, Responsabilidade Técnica e Seguro

  • Foto do escritor: Daruca Online
    Daruca Online
  • 22 de jan.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 23 de jan.


O caso Citicorp Center mostra como engenheiros e arquitetos enfrentam dilemas éticos reais quando a responsabilidade técnica ultrapassa o projeto


O caso em síntese


O exercício da engenharia e da arquitetura envolve decisões técnicas que extrapolam cálculos, normas e cronogramas. Em determinados momentos, o profissional se vê diante de dilemas em que competência técnica, responsabilidade jurídica e ética profissional se cruzam de forma indissociável.


O caso apresentado a seguir é utilizado internacionalmente como referência acadêmica e profissional justamente por revelar esse ponto de interseção.


O caso em síntese


No final da década de 1970, o engenheiro estrutural William J. LeMessurier identificou um erro crítico em um arranha-céu recém-inaugurado em Manhattan.


O edifício, com soluções arquitetônicas inovadoras, poderia sofrer falha estrutural progressiva sob determinadas condições de vento.


O erro não havia sido detectado em auditorias convencionais. Foi descoberto após questionamento técnico externo e revisão voluntária dos cálculos.



Citicorp Center, arranha-céu corporativo em Manhattan, Nova York
Citicorp Center, arranha-céu corporativo em Manhattan, Nova York

O risco real


A falha não era estética nem teórica.


Ela envolvia:

  • possibilidade de colapso estrutural

  • risco direto à vida de milhares de pessoas

  • dano urbano de proporções inéditas


O edifício estava em uso.


O dilema ético


Diante da descoberta, o engenheiro responsável enfrentou um dilema clássico da ética profissional:

  • silenciar, confiando na baixa probabilidade do evento

  • ou agir, mesmo sem obrigação legal explícita e sob risco pessoal e profissional extremo


A decisão foi agir.


A engenharia corretiva


A solução envolveu:

  • revisão completa do modelo estrutural

  • desenvolvimento de reforços em aço

  • execução sigilosa, para evitar pânico


Paralelamente, foi estruturado um plano de contingência emergencial, envolvendo autoridades públicas.


Durante semanas, o risco existiu.


O fator humano (pouco discutido)


Relatos posteriores do próprio engenheiro indicam que a descoberta do problema estrutural não representou apenas um desafio técnico, mas um processo humano profundamente desgastante.


Ao revisitar o episódio anos depois, Bill LeMessurier descreveu sentimentos que acompanharam cada etapa da reavaliação do projeto, entre eles:

  • medo crescente a cada novo cálculo e verificação estrutural;

  • tensão psicológica extrema diante da possibilidade real de colapso;

  • isolamento profissional, imposto pela necessidade de sigilo e pela gravidade do risco;

  • sofrimento emocional profundo ao lidar com consequências ainda indefinidas.


Esse componente raramente aparece em manuais técnicos, normas ou diretrizes de projeto. Ainda assim, ele é parte inseparável da responsabilidade assumida por engenheiros e arquitetos quando o risco já existe e o tempo passa a ser um fator crítico.


Anos depois, Bill LeMessurier relatou publicamente como identificou o problema estrutural e como conduziu as decisões que se seguiram — um depoimento que se tornou referência em cursos de engenharia e ética profissional.


Relato direto do engenheiro responsável

Vídeo disponível no Youtube


O que o caso ensina sobre responsabilidade técnica


  1. Responsabilidade técnica não termina com a entrega da obra

  2. ART e RRT identificam responsáveis, mas não protegem o profissional

  3. A responsabilidade pode existir mesmo sem erro doloso ou negligência

  4. O risco técnico é também risco jurídico e patrimonial


O papel do seguro (abordagem conceitual)


Embora o caso não mencione a existência de seguro, ele ilustra um ponto essencial da gestão de risco profissional:

Estruturas de proteção permitem decisões éticas mais responsáveis.

Um Seguro de Responsabilidade Civil Profissional não evita erros.


Ele:

  • viabiliza a correção

  • permite enfrentamento técnico e jurídico adequado

  • reduz a pressão psicológica extrema


Procedimento técnico esperado em situações similares


Em situações de falha potencial ou erro identificado, boas práticas incluem:

  • documentação técnica completa

  • comunicação interna estruturada

  • notificação formal da seguradora, quando houver seguro

  • aguardar posicionamento técnico e jurídico

  • atuação coordenada com advogados e especialistas


Decisões precipitadas podem agravar riscos.


Por que este caso é ensinado até hoje


O Citicorp Center é referência porque mostra que:

  • competência técnica inclui reconhecer limites

  • ética profissional exige ação, não discurso

  • coragem técnica é sustentada por estrutura


Considerações finais


Não por acaso, esse episódio segue sendo estudado décadas depois, não como um erro histórico, mas como um marco na compreensão contemporânea da ética profissional.


Em engenharia e arquitetura, decisões críticas nem sempre ocorrem no papel. Muitas vezes, elas surgem depois da obra concluída, quando o risco já existe e o tempo passa a ser parte do problema.



Andrea Freitas

Corretora de Seguros

22.01.2026


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