Seguro não falha no sinistro. O sinistro revela como foi a contratação.
- Daruca Online

- há 3 dias
- 4 min de leitura
Se você acha que quem vende seguro é o corretor, já começamos com um ajuste importante.
Quem vende seguro é a seguradora.
O corretor não vende seguro. O corretor interpreta risco, traduz contrato e ajuda o cliente a fazer escolhas conscientes dentro de um sistema complexo, jurídico e cheio de condicionantes.
E é justamente aí que a maioria dos problemas começa.
O sinistro não cria o problema. Ele apenas expõe decisões tomadas muito antes dele existir.
Seguro não é guarda‑chuva
Seguro não impede:
roubos
acidentes
falhas humanas
incêndios
eventos naturais
processos judiciais
Seguro não blinda a realidade.
Seguro é uma ferramenta de transferência de prejuízo financeiro, que só funciona quando:
um risco coberto se materializa
e
todas as condições do contrato foram cumpridas.
Nada além disso.
Nada aquém disso.
Quando isso não é entendido na contratação, a frustração aparece no sinistro.

Seguro é um contrato (e não um simples produto)
Todo seguro é regido por um contrato.
Um contrato:
escrito em juridiquês
misturado com “segurês”
cheio de cláusulas condicionais
com obrigações claras para o segurado
E um ponto fundamental que quase ninguém percebe:
Cada seguradora escreve o seu próprio contrato.
Isso significa que:
cada seguradora garante o que quiser
exclui o que quiser
impõe as condições que quiser
Desde que respeite a regulamentação.
Não existe “o seguro de automóvel”.
Não existe “o seguro residencial”.
Existem contratos diferentes, mesmo dentro da mesma seguradora.
O mesmo risco pode estar coberto em um contrato e excluído em outro
Um exemplo simples — e muito comum:
A mesma seguradora vende dois seguros de automóvel com cobertura compreensiva.
Um contrato garante peças novas e originais.
O outro garante peças de reposição.
A diferença está em uma frase.
Sutil.
Quase invisível para quem não está treinado.
Mas completamente decisiva na hora do sinistro.
👉 Quem contratou o segundo contrato não tem direito a peças novas e originais.
Ambos são seguros legítimos.
Ambos têm cobertura.
Mas o resultado prático é diferente.
É por isso que um bom corretor não apresenta preço antes de entender o risco, o perfil e as expectativas do cliente.
O papel do consumidor dentro do contrato
Ao consumidor cabe:
informar corretamente sua exposição ao risco (perfil)
escolher coberturas, limites e franquias
cumprir todas as obrigações contratuais
Entre as obrigações mais comuns estão:
agir com boa‑fé
dizer a verdade à seguradora
manter o bem segurado em perfeitas condições
realizar manutenções exigidas
manter habilitações e licenças válidas
comunicar alterações no risco
comunicar o sinistro assim que souber
provar a ocorrência do sinistro
fornecer toda a documentação exigida
colaborar com a seguradora
pagar o seguro na data combinada
Aqui vale um ponto pouco dito:
Se ele descumprir uma única obrigação, isso já pode ser motivo suficiente para a seguradora não ser mais obrigada a indenizar.
Essa é a lógica estrutural de praticamente todo contrato de seguro.
Cobertura não é sinônimo de indenização
Esse é um dos maiores ruídos do mercado.
Cobertura é uma possibilidade jurídica.
Indenização é uma consequência contratual, condicionada.
Por isso é tão comum ouvir:
“Meu seguro tinha cobertura, mas não pagou.”
Na maioria das vezes, o problema não está no sinistro.
Está na forma como o seguro foi pensado, estruturado e encaixado na realidade do cliente.
O segredo de um seguro bem‑sucedido
O sucesso de um seguro não está no atendimento do sinistro.
O sinistro é apenas o reflexo.
O verdadeiro trabalho acontece:
na contratação
nos endossos
nas renovações
em cada mudança de versão contratual
As seguradoras têm boas soluções padronizadas.
Mas os sinistros raramente são padronizados.
Cada caso tem:
contexto
histórico
comportamento
circunstâncias específicas
Situações especiais exigem soluções especiais.
É exatamente nesses momentos que a atuação do corretor faz diferença.
Quando o preço vira o critério principal
Quando alguém se preocupa mais com quanto custa do que com:
o que está coberto
quanto está coberto
como a cobertura funciona
quando ela deixa de existir
quem decide a indenização
… o seguro tende a se transformar em:
frustração
revolta
sensação de injustiça
empecilho, e não solução
Seguro mal compreendido não protege.
Ele apenas cria expectativa errada.
Perguntas que quase ninguém faz (mas deveria)
Perguntas para si mesmo:
Eu conseguiria explicar meu seguro para outra pessoa?
Meu limite de indenização resolve um problema real ou apenas simbólico?
Estou comprando proteção financeira ou tranquilidade emocional?
Sei exatamente em que situações o seguro pode não pagar?
Perguntas para o corretor:
Esse é o contrato mais restritivo ou mais abrangente dessa seguradora?
O que mudou nesse contrato em relação ao ano passado?
Quais obrigações mais derrubam indenizações nesse tipo de seguro?
Mesmo sem erro, posso ter problemas? Em quais cenários?
Essas perguntas mudam completamente o nível da contratação.
Um convite à consciência
Fica aqui uma provocação sincera:
Você já leu as Condições Gerais do seu seguro?
Não a proposta.
Não a apólice resumida.
O contrato que realmente rege o seu seguro.
Nunca li.
Já li trechos.
Já li uma vez.
Leio todo ano.
Poucos fazem isso.
E justamente por isso, muitos só descobrem como o seguro funciona… quando é tarde demais.
Para concluir
Seguro não falha no sinistro.
O sinistro revela como o seguro foi contratado e gerido.
Quanto mais consciência na contratação, menos surpresa no momento em que o seguro precisa cumprir seu papel.
Andrea Freitas
Corretora de Seguros
01.02.2026
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